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Viver a 200% e criar impacto: lições essenciais de Miguel Aires

A vida profissional de Miguel Aires nunca seguiu um plano tradicional, seguiu sempre a sua energia. Ele próprio resume tudo numa palavra: Paixão. Uma paixão vivida sem travões, desde cedo, e que moldou uma carreira feita de riscos, reinvenção e curiosidade permanente. “A Vida é como uma vela acesa… as pessoas acendem-na num pavio; eu acendi-a dos dois lados”, conta. Aos 60 anos, diz que já viveu 120.

Da engenharia ao empreendedorismo: sempre a abrir caminhos

Miguel formou-se em Engenharia Civil, mas exerceu apenas seis meses. A seguir, viveu da caça submarina, onde rapidamente ganhou mais do que na engenharia. Depois tornou-se empreiteiro e viveu alguns dos anos mais lucrativos da sua vida. Tudo isto antes dos 30.

Entrou num grande projeto de reciclagem de alumínio. Correu mal, muito mal. E ainda hoje fala do preço que ficou para pagar. Mas nunca hesitou em mudar de direção. Passou pela Guiné-Bissau, onde sobreviveu a um paludismo cerebral extremamente grave. E regressou a Portugal decidido a começar de novo.

O encontro com a inovação tecnológica

Em 1990 descobre aquilo que se tornaria a sua grande paixão profissional: a informática.
Em apenas dois anos já era sócio de uma das primeiras empresas “.Net” do país, a desenvolver sites quando quase ninguém sabia o que era um browser. Deu aulas de internet, explicou a figuras públicas como usar email, e até criou um “crawler” português, o Portugal Navigator.

Com crescimento rápido, surgiram vários interessados em comprar a empresa. Mas a bolha das .Net rebentou e o negócio caiu com ela. Mais uma fatura pesada, mas mais uma etapa de aprendizagem.

Tecnologia avançada… e o mercado que nem sempre acompanha

Em 2002, Miguel aposta em três jovens programadores excecionais que criam o XEO, uma plataforma inovadora, tecnicamente considerada superior a tudo o que existia. O único concorrente direto: a Outsystems. Os dois chegaram à final de uma ronda de investimento, mas o mercado puxou para o lado dos que tinham mais avanço comercial. É um dos exemplos que Miguel usa para mostrar que a melhor tecnologia não é, por si só, garantia de sucesso.

A mobilidade como missão: i2D e Livedrive

Em 2010 surge o desafio que muda o rumo da sua carreira: transformar décadas de investigação sobre comportamento de condução em algo útil para a sociedade. Daí nasce o i2D – intelligence to Drive, que se tornaria a base da Livedrive. O projeto conquista reconhecimento internacional, sobretudo nos EUA, como plataforma de telemática de suporte à investigação sobre mobilidade rodoviária.

Mas em Portugal, o caminho foi quase bloqueado: durante anos, nenhuma candidatura teve sequer pontuação suficiente para ser analisada. Tudo mudou quando uma candidatura ao Horizon 2020 foi aprovada, tornando a empresa uma das primeiras portuguesas a obter financiamento deste programa europeu.

Quando a pandemia desmonta tudo e recomeçar é a única opção

A pandemia foi devastadora para a Livedrive: contratos cancelados, projetos suspensos, impossibilidade de concluir um trabalho com Selo de Excelência europeu. Miguel percebeu que, sozinhos, seria quase impossível avançar. E virou-se para o mundo: criou redes, integrou consórcios, foi selecionado para o EIC GHG, Programme  e conseguiu liderar um projeto internacional aprovado com Full Label pelo Celtic-Eureka.

UVolution Green: preparar o que vem aí

A UVolution nasce por necessidade e por visão. Startups com mais de dez anos deixam de ter acesso a vários fundos nacionais, e o PRR Startup Voucher foi uma oportunidade a agarrar.

Mas nasce também porque Miguel tem uma leitura clara da realidade:
A mobilidade sustentável é o maior desafio europeu… e estamos a falhar em quase tudo.

Mas não acredita em impossibilidades. Acredita em trabalho.

A nova revolução: dados, conectividade e parcerias

Para Miguel, as soluções verdadeiramente impactantes serão sempre transversais  e só com parcerias. O mercado está a mudar radicalmente com o EU Data Act e com a obrigatoriedade de conectividade nos carros novos na Europa desde 2022. Em 2035, haverá mil milhões de veículos conectados no mundo. Isso muda tudo.

É por isso que a internacionalização não é uma ambição, é uma obrigação.

O conselho de quem viveu tudo intensamente

No final, o que Miguel deixa não é um lema, nem uma teoria de liderança: é experiência vivida.

Para inovar em setores tradicionais, diz ele, é preciso: Acreditar. Ser resiliente. Ser realista. E juntar esforços.

Já não há espaço para inovações disruptivas feitas por uma só pessoa.

E, acima de tudo, partilhar: “Não posso deixar de aproveitar oportunidades como esta, de transmitir tanto conhecimento que adquiri ao longo de décadas.”

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