Daniela Agra: Liderar com Coragem num Mundo que Exige Humanidade
Há líderes que constroem carreiras por saltos estratégicos e outros que crescem por acumulação consciente. Daniela Agra pertence claramente ao segundo grupo. O seu percurso profissional confunde-se com a própria história de crescimento da ATREVIA, uma consultora que fez da ambição internacional e da coragem estratégica parte do seu ADN — e onde Daniela encontrou espaço para evoluir, errar, aprender e liderar.
Entrou na ATREVIA em 2008, no escritório do Porto, depois de uma breve passagem pelo jornalismo, numa fase ainda marcadamente empreendedora da empresa. Desde cedo, percebeu que estava num contexto onde o risco não era evitado, mas gerido; onde o erro não era penalizado, mas integrado no processo de crescimento. Esse ambiente moldou a sua forma de estar: exigente, convicta, mas profundamente consciente do impacto das decisões nas pessoas.
Ao longo de mais de 15 anos, foi acompanhando, e impulsionando a consolidação da ATREVIA em Portugal, em particular no Norte do país, sempre com uma leitura atenta dos contextos económicos e empresariais. O crescimento não foi acelerado nem improvisado; foi consistente, sustentado na proximidade aos clientes e numa forte ligação entre Portugal e Espanha, que continua a ser um dos pilares estratégicos da consultora.
Liderar entre culturas, contextos e complexidade
Se a experiência em Portugal foi a base, o Brasil foi o verdadeiro ponto de inflexão. Viver e liderar a ATREVIA num mercado da dimensão e complexidade brasileira obrigou Daniela a redefinir certezas. Nada é linear naquele contexto: a escala, a diversidade cultural, a intensidade mediática e a volatilidade política exigem uma liderança simultaneamente estratégica e profundamente humana.
Foi no Brasil que consolidou uma das aprendizagens mais marcantes do seu percurso: não existem modelos universais de liderança. Liderar é, acima de tudo, saber escutar, adaptar e construir pontes entre culturas e formas de pensar distintas. Essa vivência reforçou uma visão verdadeiramente ibero-americana da comunicação, onde Portugal, Espanha e Brasil funcionam como plataformas complementares para apoiar empresas em expansão internacional.
Hoje, essa visão materializa-se numa ATREVIA mais robusta, com mais de 640 profissionais em 15 países, reforçada recentemente pela integração da XCOM no Brasil, uma aposta clara na escala, no talento local e na relevância estratégica do mercado latino-americano.
A estratégia como ecossistema
Daniela Agra não acredita em disciplinas isoladas. Para si, a verdadeira vantagem competitiva está na integração: estratégia, reputação, assuntos públicos, sustentabilidade, marketing e criatividade fazem parte de um mesmo ecossistema. É essa lógica que orienta o posicionamento da ATREVIA Portugal num mercado cada vez mais competitivo.
A presença em Lisboa e no Porto garante proximidade e capilaridade, mas o verdadeiro diferencial está na capacidade de pensar localmente e executar com visão internacional. A comunicação deixa de ser apenas mensagem e passa a ser estrutura, coerência e impacto real nas organizações.
Tecnologia com propósito, comunicação com verdade
Num setor em rápida transformação, Daniela identifica um paradoxo claro: nunca houve tanta tecnologia disponível, e nunca foi tão importante ser humano. Inteligência artificial, automação e análise de dados são ferramentas essenciais, mas insuficientes se não forem colocadas ao serviço da empatia, do pensamento crítico e da criatividade.
Para Daniela, a relevância das marcas constrói-se na autenticidade. Num mundo saturado de mensagens, comunicar muito não é sinónimo de comunicar bem. As empresas que não alinham discurso e prática correm o risco de se tornarem irrelevantes, por mais sofisticados que sejam os seus meios.
Liderar pessoas, não organigramas
A liderança de Daniela Agra é assumidamente relacional. Acredita que organizações sustentáveis começam no cuidado com as pessoas e rejeita modelos hierárquicos rígidos como solução de longo prazo. O mundo das agências é intenso, competitivo e exigente — e ela reconhece isso sem romantizar. Mas essa exigência, defende, só funciona quando acompanhada de respeito, escuta e confiança.
Equipas fortes constroem-se com lealdade e sentido de pertença. Quando as pessoas percebem que fazem parte de algo maior, a motivação deixa de ser imposta e passa a ser natural.
Maternidade, liderança e integração
A maternidade trouxe-lhe o maior desafio da sua vida, e também uma das maiores aprendizagens. Longe de ver a maternidade e a liderança como caminhos incompatíveis, Daniela defende que se complementam. Tornou-a mais consciente, mais empática e mais eficaz na gestão do tempo e das prioridades.
Não abdicou da ambição profissional nem da maternidade. Aprendeu a integrá-las, recusando a ideia de que é preciso escolher entre uma ou outra. Para Daniela, liderar também é normalizar este discurso e criar organizações onde seja possível viver várias dimensões da vida sem culpa.
A coragem como atitude
Se tivesse de deixar uma mensagem às novas gerações, Daniela Agra não falaria primeiro de talento ou de contactos. Falaria de atitude. De energia, de vontade de ir mais longe, de tentar mais uma vez quando o caminho não é óbvio.
Acredita que a garra, essa combinação de ambição, persistência e convicção, continua a ser um dos maiores fatores de diferenciação. Num mundo em constante mudança, essa coragem tranquila pode ser, afinal, a forma mais consistente de liderança.