Leadership Challenges: Quando a Evidência Deixa de Ser Fiável
O que acontece quando já não é possível confiar no que parece evidente?
Uma organização recebe uma mensagem de um líder. O conteúdo é coerente com o contexto, o timing não levanta questões e o tom é consistente com comunicações anteriores. Com base nessa informação, é tomada uma decisão. Mais tarde, verifica-se que a mensagem não era autêntica.
Não houve evidência de falha tecnológica crítica nem de acesso indevido a sistemas internos. A decisão baseou-se numa interpretação que, à partida, parecia razoável.
Este tipo de situação tem vindo a surgir em diferentes contextos, acompanhando a evolução das formas de produção e circulação de informação. Em muitos casos, a validação não é um processo explícito, mas sim implícito — assente na consistência percebida da mensagem com padrões anteriores.
Esse critério, embora tenha sido suficiente durante muito tempo, pode já não ser adequado em todos os contextos.
O ponto relevante não está apenas na tecnologia envolvida, mas na forma como as organizações estruturam a validação da informação antes de agir. Quando essa validação depende predominantemente de reconhecimento ou contexto, o risco tende a aumentar.
Deste tipo de situações resultam algumas implicações práticas. A primeira é que a credibilidade percebida pode não ser um critério suficiente de validação. A segunda é que os mecanismos de validação tendem a ser mais robustos quando fazem parte do processo e não quando são acionados de forma pontual. A terceira é que decisões baseadas em informação não validada refletem, frequentemente, características do próprio desenho organizacional, mais do que um erro isolado.
Estas situações não resultam necessariamente de exceções tecnológicas, mas da interação entre novos tipos de risco e práticas estabelecidas de decisão.
É este tipo de tema que está no centro das conversas sobre Leadership Challenges, promovidas pela The Genius Inside, onde casos reais são analisados pelo que revelam sobre a forma como as organizações interpretam, validam e utilizam informação em contextos de incerteza.
Porque, num contexto em que a evidência pode ser replicada com maior facilidade, a questão deixa de ser apenas o que parece verdadeiro.
Passa a ser como se estabelece o que é considerado válido para decidir.