Nuno Martins: Liderar com propósito, relação e pragmatismo
Mais do que uma carreira linear, o percurso de Nuno Martins é uma sucessão de desafios em contextos de mudança, onde a capacidade de decidir, alinhar equipas e gerar impacto rápido se tornou parte integrante da sua identidade enquanto líder. Com mais de três décadas de experiência entre consultoria, banca, liderança executiva e interim management, construiu um percurso marcado por contextos exigentes — transformação, reestruturação, mudança organizacional — onde o fator humano surge sempre como eixo central da sua visão de liderança.
Quando olha para a própria trajetória, não fala de ambição planeada nem de carreira linear. Fala antes de decisões pragmáticas, tomadas no momento certo, e de uma necessidade constante de novos desafios. Essa procura revela traços evidentes da sua personalidade: curiosidade, inconformismo positivo e gosto pela missão.
A liderança como relação, não apenas execução
Uma das ideias mais fortes que atravessa o seu discurso é simples, mas pouco superficial: liderar não é sobretudo “saber fazer”, é “saber relacionar”.
A experiência ensinou-lhe que competências técnicas são importantes — mas raramente suficientes. O verdadeiro diferencial surge quando é necessário alinhar pessoas diferentes, ritmos distintos, motivações divergentes e até fragilidades humanas em torno de um objetivo comum.
A metáfora que usa é reveladora da sua forma de pensar: liderar é como dirigir uma orquestra. Cada músico domina o instrumento, mas só a harmonia produz resultado. E, inevitavelmente, alguém desafina — cabe ao líder perceber rapidamente onde está o desalinhamento e restaurar o equilíbrio.
Esta visão traduz um estilo de liderança simultaneamente exigente e relacional: foco no resultado, mas através das pessoas.
Interim management: clareza, foco e impacto rápido
Nos últimos anos, o seu trabalho como Interim Executive e Interim Manager trouxe uma dimensão adicional ao seu perfil: liderança com prazo definido.
Para Nuno Martins, a diferença entre níveis de intervenção é crucial:
Executive Management implica direção estratégica, decisões estruturantes e responsabilidade global.
Management operacional centra-se na execução, na coordenação e na entrega concreta.
Esta distinção não é académica — é prática. Define expectativas, autoridade, velocidade de decisão e impacto.
Nos contextos interim, identifica três fatores críticos logo no início:
Clareza absoluta sobre a missão.
Alinhamento entre mandato e objetivos reais.
Acesso rápido à informação relevante.
Sem estes elementos, considera difícil gerar impacto sustentável.
Pragmatismo como marca pessoal
Outro traço constante na sua forma de trabalhar é o pragmatismo. Não o pragmatismo frio ou mecanicista, mas um pragmatismo sustentado pela experiência.
Reconhece que, em missões de curto prazo, existe sempre tensão entre resultados imediatos e sustentabilidade futura. A chave está na leitura precoce de riscos e na transparência com stakeholders. Ignorar riscos pode dar ganhos rápidos, mas compromete o legado — algo que procura evitar.
Essa postura revela um líder confortável com decisões difíceis, mas também consciente da responsabilidade de longo prazo.
Confiança constrói-se com coerência
Quando entra numa organização sabendo que a sua liderança é temporária, o desafio humano intensifica-se. A resposta, para ele, assenta em dois pilares:
Coerência entre discurso e ação, que gera confiança rapidamente.
Tutoria e transferência de conhecimento, preparando a organização para funcionar sem a sua presença.
Este segundo ponto revela talvez um dos aspetos mais característicos da sua personalidade profissional: não procura dependência, procura autonomia nas equipas. O sucesso de uma missão mede-se, para si, pela capacidade de continuidade após a saída.
Independência e visão sistémica
Na perspetiva de Nuno Martins, recorrer a um Interim Executive não é apenas uma solução temporária — é frequentemente uma decisão estratégica.
As organizações fazem-no quando precisam de:
Decisão rápida sem alterar estruturas permanentes.
Know-how específico não disponível internamente.
Independência na tomada de decisão.
Flexibilidade financeira e operacional.
Aqui sobressai outro traço seu: visão sistémica das organizações, onde estratégia, política interna, processos e pessoas coexistem.
Três princípios que não mudam
Independentemente da missão, duração ou contexto, mantém três princípios constantes:
Clareza de propósito e alinhamento.
Confiança e compromisso das equipas.
Resultados sustentáveis.
São princípios simples, mas que refletem maturidade profissional: menos teoria, mais consistência.
Um líder de transições
Se fosse necessário resumir o perfil de Nuno Martins, talvez a expressão mais ajustada fosse “líder de transições”.
Alguém que entra em momentos críticos, estabiliza, redefine direção, mobiliza pessoas e prepara o futuro. Sem dramatismo, sem protagonismo excessivo — mas com foco claro no impacto.
E talvez a mensagem final que deixa aos líderes e conselhos de administração traduza bem o seu posicionamento: a experiência é escassa nas organizações, mas está disponível. E recorrer a ela, quando faz sentido, não é fraqueza — é inteligência estratégica.