
Durante décadas, os interim managers foram vistos como solucionadores de problemas de alto impacto — chamados para resolver crises, implementar soluções urgentes ou liderar transformações. Mas até 2030, esse modelo estará ultrapassado.
O futuro da interim management não passa por resolver problemas — passa por construir capacidades que perduram mesmo depois de o líder interino sair.
Pelo menos, essa é a teoria.
Mas aqui está o problema — as empresas adoram soluções rápidas. Adoram contratar um executivo experiente para assumir o controlo e deixar tudo aparentemente melhor do que estava. E eu percebo. A construção de capacidades não dá aquele momento imediato e satisfatório de “está resolvido”. É mais lenta. É mais difícil de medir. E, sejamos sinceros — é mais difícil de vender a um conselho de administração que quer resultados já.
As empresas vão realmente abraçar esta mudança? Gostava de acreditar que sim, mas, sendo totalmente honesto, não tenho a certeza.
Porque é que o modelo do “Especialista em Resolução de Problemas” está a falhar
O modelo tradicional de interim management funciona assim:
- A empresa enfrenta uma crise → Falta de liderança, falha operacional, fraco desempenho.
- O interim manager entra → Avalia a situação e executa uma solução.
- O interim manager sai → O problema está “resolvido” (por agora).
Parece bem no papel, e até resulta a curto prazo. Mas falha a longo prazo porque trata os sintomas, não as causas.
Já vi isto acontecer vezes demais.
- Uma empresa de produção com problemas na cadeia de abastecimento contrata um COO interino. Ele corta custos, renegocia contratos com fornecedores e optimiza a logística.
- Dois anos depois? Os mesmos problemas voltam. A equipa interna nunca aprendeu como manter as melhorias.
Outro exemplo —
- Uma empresa de serviços financeiros precisa de uma renovação na cibersegurança, e contrata um CISO interino. O especialista implementa melhores protocolos, corrige vulnerabilidades e melhora a conformidade.
- Três anos depois, estão a contratar outro CISO interino — porque nunca desenvolveram liderança interna na área.
Esse é o verdadeiro problema. Se os interim managers continuam a ser chamados para os mesmos projectos, não estamos a resolver nada. Estamos apenas a carregar no botão de reiniciar de poucos em poucos anos, e a esperar que ninguém repare.
A mudança para uma liderança interina focada na construção de capacidades
Até 2028, os melhores interim managers não serão os que “resolvem” problemas. Serão os que garantem que a organização consiga resolvê-los sozinha.
Um interim manager que constrói capacidades não se limita a executar soluções. Transfere conhecimento, forma líderes e incute uma mentalidade de longo prazo.
Um CFO interino tradicional poderia:
✔ Cortar custos.
✔ Reestruturar as equipas financeiras.
✔ Negociar melhores condições de crédito.
Um CFO interino focado na construção de capacidades:
✔ Formaria as equipas financeiras em gestão avançada de custos.
✔ Desenvolveria modelos de previsão de longo prazo para que a empresa se possa autocorrigir.
✔ Acompanharia e orientaria futuros líderes financeiros para que as equipas internas saibam lidar com desafios de forma autónoma.
Um deixa uma situação financeira mais sólida. O outro deixa uma função financeira muito mais robusta.
E isso levanta uma pergunta fundamental: porque é que mais empresas não estão a exigir isto?
Porque é que construir capacidades gera três vezes mais valor
Os dados iniciais mostram que as organizações têm mais retorno com interim managers focados na implementação com transferência de conhecimento.
Porquê? Porque:
✔ Desenvolvem agilidade interna. Organizações que constroem competências internas para resolver problemas deixam de depender de especialistas externos sempre que algo corre mal.
✔ Reduzem custos a longo prazo. Em vez de contratarem interim managers repetidamente para os mesmos desafios, resolvem-nos de forma permanente.
✔ Retêm mais talento. Os colaboradores sentem-se mais envolvidos quando têm autonomia para resolver problemas em vez de esperarem por alguém de fora.
Mas, mais uma vez, isso é a teoria. A realidade? Muitas empresas terão dificuldade em fazer essa mudança porque ela exige uma mudança de mentalidade.
O teste da realidade — As empresas vão mesmo mudar?
E aqui está o verdadeiro problema: não acredito que a maioria das empresas queira realmente essa mudança.
Dizem que sim. Falam em “desenvolver capacidades internas” e “investir em soluções sustentáveis”. Mas na prática? Ainda querem a solução rápida.
Já tive demasiadas conversas com executivos que concordam com a cabeça quando falo sobre o valor de construir capacidades — e logo a seguir perguntam: “Mas em quanto tempo conseguimos implementar isto?” É como ver alguém pedir uma salada e perguntar se pode vir com batatas fritas.
Velhos hábitos custam a desaparecer.
Gostava de poder dizer que esta mudança é inevitável. Mas sejamos realistas — algumas empresas ainda vão estar a ter esta conversa daqui a dez anos. Algumas vão evoluir, investir em capacidades internas e prosperar. Outras vão continuar a rodar interim managers, a perguntar-se porque é que nada muda.
E os melhores interim managers? Serão aqueles que fizerem a transição para a construção de capacidades antes de o mercado os forçar a fazê-lo.
O papel dos interim managers está a ser reescrito
Para executivos de topo e conselhos de administração, a pergunta essencial não é: “Quem pode resolver isto agora?”
É: “Quem pode garantir que nunca mais precisaremos de resolver isto?”
O interim manager do futuro não é um bombeiro.
É o arquitecto que constrói uma organização que não arde à partida.
Ou talvez isto seja apenas optimismo. Suponho que em breve descobriremos.