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Ricardo Costa: Liderar para Deixar Impacto nas Pessoas

Há líderes que constroem empresas. E há outros que procuram construir culturas, relações e impacto duradouro.
Ricardo Costa pertence claramente à segunda categoria.

Ao longo de mais de duas décadas de liderança no Grupo Bernardo da Costa, habituou-se a gerir negócios, equipas e decisões estratégicas em setores distintos. Mas, quando fala sobre o seu percurso, raramente começa pelos números, pelas empresas ou pelos cargos.

Começa pelas pessoas.

“Durante muitos anos pensei que liderar significava estar à frente. Hoje acredito que liderar significa estar ao serviço.”

A frase resume não apenas uma visão de liderança, mas também uma transformação pessoal. Filho de uma empresa familiar fundada em 1957, Ricardo Costa entrou no negócio sem imaginar que um dia assumiria a liderança do grupo. A carreira não foi desenhada ao detalhe. Foi construída entre experiências, aprendizagem contínua e uma curiosidade permanente sobre o impacto que as organizações podem ter na vida das pessoas.

Ao longo do caminho, percebeu que aquilo que verdadeiramente o motivava não era apenas fazer crescer negócios — era criar contextos onde as pessoas também pudessem crescer.

A transição de quem deixa de executar para definir rumo

Depois de mais de 15 anos como CEO do Grupo Bernardo da Costa, a passagem para Presidente do Conselho de Administração não surgiu como afastamento da operação. Surgiu como consequência natural de uma mudança de perspetiva.

Hoje, olha para a liderança com maior distanciamento estratégico, mas também com maior consciência humana. Menos centrada no controlo e mais focada na criação de condições para que outros líderes possam assumir responsabilidade e crescer.

Essa visão atravessa todos os projetos onde está envolvido — do universo empresarial ao associativismo, passando pela academia e pelas iniciativas sociais.

A visibilidade que trouxe responsabilidade

Com mais de 225 mil seguidores no LinkedIn e milhões de visualizações, Ricardo Costa tornou-se uma das vozes empresariais mais influentes em Portugal. Mas rejeita a ideia de notoriedade como objetivo.

“Nunca procurei construir uma marca pessoal. Procurei partilhar aquilo em que acredito.”

Durante muito tempo viu as redes sociais apenas como ferramenta de comunicação. Hoje vê-as como espaço de responsabilidade. Um lugar onde autenticidade, coerência e verdade passaram a ser mais valorizadas do que discursos perfeitos.

Na sua perspetiva, as pessoas cansaram-se de líderes inatingíveis. Procuram proximidade. Procuram humanidade. Procuram líderes capazes de assumir dúvidas, erros e aprendizagem.

“A visibilidade pode abrir portas. Mas é a credibilidade que as mantém abertas.”

A felicidade como estratégia — e não como discurso

Quando publicou o livro A Felicidade é Lucrativa, Ricardo Costa sabia que o título podia gerar resistência no mundo empresarial. Mas a convicção era clara: cuidar das pessoas não é incompatível com resultados. Pelo contrário.

Ao longo da sua experiência enquanto gestor, foi percebendo que as organizações mais sustentáveis raramente se distinguem apenas pela estratégia ou pela eficiência operacional. Distinguem-se pelas culturas que conseguem construir.

“Uma empresa feliz é uma empresa onde existe confiança.”

Para Ricardo, felicidade organizacional não significa ausência de exigência. Significa respeito, reconhecimento, espaço para crescer e segurança para errar e aprender.

Durante anos criou-se uma falsa oposição entre felicidade e performance. A experiência mostrou-lhe exatamente o contrário: equipas mais envolvidas colaboram mais, inovam mais e permanecem mais tempo nas organizações.

“Cuidar das pessoas não é um custo. É um investimento.”

O empresário que não se fecha dentro da empresa

A ligação às causas sociais ganhou uma dimensão ainda mais profunda através da Associação Fernando Costa, criada com o objetivo de apoiar jovens no acesso ao ensino superior.

Foi aí que consolidou uma ideia que hoje considera inegociável: o sucesso empresarial só faz sentido quando gera impacto para lá da própria organização.

“Nunca acreditei numa visão do empresário fechado dentro da sua empresa.”

Para Ricardo Costa, liderar implica responsabilidade social. Não como estratégia de comunicação, mas como obrigação moral. As empresas fazem parte da sociedade e têm capacidade real para criar oportunidades, influenciar comunidades e transformar vidas.

No final, acredita que o verdadeiro valor de uma organização não se mede apenas pelos resultados que produz internamente, mas também pelo impacto positivo que deixa à sua volta.

A diversidade dos negócios e a unidade da cultura

Segurança, automação, software, soluções digitais, formação. À primeira vista, os negócios do Grupo Bernardo da Costa parecem pertencer a universos completamente diferentes.

Mas Ricardo Costa identifica um denominador comum claro: inovação feita através das pessoas.

“Aquilo que garante a coerência não é o produto. É a cultura.”

Ao longo dos anos, habituou-se a olhar para a diversidade não como dispersão, mas como oportunidade de aprendizagem e criação de sinergias. Mais importante do que o setor onde uma empresa opera é a forma como escolhe estar no mercado.

No grupo que lidera, a ambição passa por construir empresas tecnicamente fortes, financeiramente sustentáveis e humanamente diferenciadoras.

Porque, na sua visão, a tecnologia pode transformar negócios — mas são sempre as pessoas que transformam tecnologia em impacto.

A velocidade do digital e a urgência da adaptação

A experiência no universo digital, nomeadamente na liderança do KuantoKusta e em novos investimentos ligados à transformação tecnológica, trouxe-lhe uma aprendizagem decisiva: velocidade.

“No digital aprendemos a decidir mais depressa, testar mais e adaptar continuamente.”

Mas o maior ensinamento talvez tenha sido outro: a centralidade do cliente e a importância de abandonar pressupostos para olhar para comportamento real.

Ricardo acredita que o grande desafio dos próximos anos será conseguir combinar duas dimensões aparentemente opostas: a agilidade do digital e a experiência acumulada das organizações tradicionais.

As empresas que conseguirem fazer essa ponte terão vantagem competitiva.

Inteligência artificial: tecnologia mais humana, não menos

Ao refletir sobre o impacto da inteligência artificial no mundo empresarial, Ricardo Costa evita tanto o entusiasmo cego como o alarmismo.

“A grande questão não é aquilo que a inteligência artificial consegue fazer. É aquilo que nós vamos fazer com ela.”

Na sua visão, a IA vai automatizar processos, acelerar decisões e transformar profissões. Mas, paradoxalmente, também tornará ainda mais valiosas competências profundamente humanas: criatividade, pensamento crítico, empatia, ética e liderança.

Por isso, não vê o futuro como uma competição entre pessoas e tecnologia.

Vê-o como uma oportunidade para libertar tempo para aquilo que verdadeiramente acrescenta valor.

O legado que permanece

Depois de décadas de liderança empresarial, presença pública e envolvimento institucional, Ricardo Costa acredita que os cargos passam, os negócios mudam e até a notoriedade é temporária.

Aquilo que permanece são as pessoas.

“As equipas que ajudámos a crescer. Os jovens que inspirámos. As oportunidades que criámos.”

É por isso que insiste numa ideia simples, mas cada vez mais rara no mundo empresarial: liderar não é impressionar os outros. É servir os outros.

No final, acredita que o verdadeiro legado de um líder mede-se pelo impacto que continua vivo depois da sua saída.

E talvez seja precisamente essa consciência que une todas as dimensões do seu percurso: negócios, liderança, responsabilidade social e influência pública.

Porque, para Ricardo Costa, sucesso nunca foi apenas chegar mais longe.

Foi garantir que outras pessoas também conseguiam crescer no caminho.

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